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domingo, 19 de outubro de 2008

SAUDADE II

Para o meu AMVI.


Saudade pode não matar

Mas é como pele

Que o fogo queima

Que a pimenta arde

Que o tato incendeia

Desejo


Saudade pode não matar

Mas é como corpo

Que o frio congela

Que o corte sangra

Que o desejo cheira

Vontade


Saudade pode não matar

Mas é como tudo

que se faz vazio

Quando o dia amanhece

Quando a noite chega

Lacuna


Saudade vai até matar

Que é como quem

Nasce sem família

Vive sem comida

Cresce sem bebida

E murcha com a vida.


terça-feira, 24 de junho de 2008

Apego da Armada


Estou particularmente triste
As fogueiras de São João queimam
O vento traz o burburinho do forró
Imagino os pares dançando
Passeando de mãos dadas
Enquanto a noite passa pra mim
Que o coração arde mais do que a madeira
Que o coração bate mais que a zabumba
- Sinto uma saudade tão grande de ti!

Estou particularmente frágil
Uma dor no peito que queima
O vento sopra e me congela a face
Recordo a gente dançando
Passeando abraçadas
Enquanto a noite se finca em mim
Que o coração mais castigado do que madeira
Que o coração já mal o sangue bombeia
- Ai, que falta danada de ti!

Estou particularmente ausente
As roupas não me aquecem a pele
O vento traspassa minha pálida imagem
Que não consigo mais chegar em ti
Não mais passeamos, é fato!
Apenas a noite passeia nesse hiato
Onde descubro que não sou corpo
E percebo que não mais estou no teu mundo
- Oh, meu Deus! Vagueio sem ti!