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domingo, 7 de dezembro de 2008

A DOR

Espetou-me os olhos tal qual alfinete sem fim

Ricocheteou na nuca de suor frio imediato

Afundou-se na garganta deixando rastro de fel

Varou-me as entranhas sem nenhum pudor

Senti-me desfalecendo, sem acreditar no que via

Mais fácil seria duvidar de minha sanidade

Mas não era mentira, tampouco ilusão de espelhos

Embora o chão que a meus pés se abria

E o mundo que me rodava a cabeça

Era isto: a vida atirando-me a sua realidade

Era um golpe daqueles que nos mudam pra sempre

A dor faz isso, sabe?

Bifurca o caminho

Ou somos engolidos pelo chão

quedando-nos iguais aos que nos repudiam

Ou tornamo-nos mais fortes

no embate entre o nosso querer e o ser da realidade

A dor fez isso, sabe?

Deixou-me mais forte para seduzir a vida

terça-feira, 24 de junho de 2008

Apego da Armada


Estou particularmente triste
As fogueiras de São João queimam
O vento traz o burburinho do forró
Imagino os pares dançando
Passeando de mãos dadas
Enquanto a noite passa pra mim
Que o coração arde mais do que a madeira
Que o coração bate mais que a zabumba
- Sinto uma saudade tão grande de ti!

Estou particularmente frágil
Uma dor no peito que queima
O vento sopra e me congela a face
Recordo a gente dançando
Passeando abraçadas
Enquanto a noite se finca em mim
Que o coração mais castigado do que madeira
Que o coração já mal o sangue bombeia
- Ai, que falta danada de ti!

Estou particularmente ausente
As roupas não me aquecem a pele
O vento traspassa minha pálida imagem
Que não consigo mais chegar em ti
Não mais passeamos, é fato!
Apenas a noite passeia nesse hiato
Onde descubro que não sou corpo
E percebo que não mais estou no teu mundo
- Oh, meu Deus! Vagueio sem ti!