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segunda-feira, 27 de março de 2006

Novamente, Madonna contrata designer brasileiro para turnê


O designer brasileiro Giovanni Bianco está com sorte. Ele foi novamente contratado por Madonna para fazer a colaboração criativa de sua mais nova turnê, que terá as datas anunciadas até o meio desta semana, segundo fontes oficiais.

O artista já havia feito dois trabalhos com a cantora, ambos durante a fase recente dela que abrange os discos American Life e o atual Confessions on a Dance Floor.

Em 2004, Giovanni realizou seu maior trabalho ao ser escolhido para ser diretor de arte da maior turnê de Madonna, que ganhou o nome de Re-invention Tour. Com estrutura milionária, o show passou por 20 cidades diferentes em mais de 54 apresentações.

Foi o designer que compôs também o visual atual que Madonna utiliza em seu site oficial e trabalhos de arte e divulgação de seu novo álbum. Na turnê deste ano, ele deve ficar responsável pelo logotipo, cenários e outras divisões da campanha.

O artista também já foi citado na novela Belíssima, pela personagem Rebeca, que tem Giovanni como um de seus ídolos. Redação TerraLeia esta notícia no original em:Terra - Diversão

Fonte: Redação Terra

quinta-feira, 23 de março de 2006

FRANCAMENTE!

Caríssimos leitores,
A notícia abaixo diz respeito ao Brasil, no séc. XXI, uma país que se diz democrático, laico, tolerante, diverso. Francamente, onde é que nós queremos nos colocar? Nós mesmos! Afinal, nós também integramos este país. O que ainda me dá esperanças é a existência, de um lado, de pessoas que não se curvam e, de outro, que decidem com bastante bom-senso e coragem.
Mina (cada vez mais indignada).

Mulher PM afastada por ter tatuagem é reintegrada por determinação judicial


A juíza Sandra Regina Teodoro Reis, em plantão no fim-de-semana em Goiânia, concedeu liminar determinando a reinclusão de Jane Lúcia de Souza no Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar, bem como o restabelecimento de sua remuneração, por parte da Agência Goiana de Administração Pública (Aganp). Embora tenha sido aprovada em todas as etapas do curso, classificando-se em 4º lugar em todas elas, Jane foi afastada de suas atividades pelo Comando Geral da PM por possuir uma tatuagem no corpo.
Em julho do ano passado, diante de seu afastamento, Jane Lúcia impetrou mandado de segurança com pedido de liminar para permanecer no curso, tendo sido concedida a medida pela juíza Maria Luíza Póvoa Cruz.
No dia 9, deste mês, contudo, a corporação a afastou novamente ao argumento de que parecer emitido pela Procuradoria Geral do Estado de Goiás se pronunciara favoravelmente à sua exclusão. Finalmente apreciado em seu mérito, o mandado de segurança, por sua vez, foi julgado improcedente, razão pela qual Jane recorreu dele, não tendo sido proferida, ainda, decisão a respeito.
No pedido de liminar ajuizado neste final de semana, alegou que caso não fosse reintegrada no curso poderia sofrer danos irreparáveis, já que para conclui-lo faltava, apenas, a etapa de avaliação física, não havendo previsão de decisão acerca do recurso antes do fim do curso.
Ao conceder a liminar, a magistrada Sandra Reis observou que se não determinasse a reintegração de Jane no curso, os danos sofridos de fato seriam irreparáveis no caso de o recurso ser provido, já que até lá o curso estaria concluído e Jane seria reprovada em razão de sua ausência. Além disso, comentou: "acredito que, em pleno século 21 quando , lamentavelmente assistimos à derrocada dos princípios morais e dos valores maiores que sustentam a vida em sociedade; quando vemos ruir tudo o que aprendemos ser honesto e correto, não será uma arte na pele que irá comprometer o caráter da pessoa, não constituindo-se em fator que elimina ou fragiliza qualquer dos pré-requisitos necessários a uma exitosa carreira na notável corporação militar que tantos serviços tem prestado à sociedade em todo o Estado". (Com informações do TJ-GO).

fonte: Espaço Vital

quarta-feira, 22 de março de 2006

EXCELENTE TEXTO DE LUIZ VELOSO !!!

BROKEBACK BRASIL
Praticamente o mundo inteiro tem falado de “O segredo de Brokeback Mountain”. Devo dizer que aqui o filme não foi muito comentado e a única manchete que vi no jornal falava da “mais forte história de amor das últimas décadas”, o que achei muito verdadeiro, pois o filme é forte e emocionante, mas está longe de ser uma história feliz.
No Brasil, claro, como em toda sociedade pseudo-intelectual, as pessoas têm a necessidade de discutir tudo até a última letra, sempre com a propriedade de um expert no assunto. Diante de tudo que vi na Internet e nos jornais brasileiros só posso deduzir que, apesar dos discursos politicamente corretos, a hipocrisia e o preconceito nunca estiveram tão em moda no nosso país tropical. Alguns trataram o filme como se fosse uma celebração da cultura gay – o que absolutamente não é verdade - e a maioria como se a história narrada tivesse revelado um outro lado, ainda desconhecido, da homossexualidade masculina, o que é menos verdadeiro ainda, principalmente no Brasil.
Este filme poderia até se chamar O segredo de Brasília, ou de São Paulo, Rio, Fortaleza, Salvador ou qualquer outro lugar e o título ainda seria super apropriado, pois acredito que a história dos cowboys de Brokeback Mountain seja a que se repete com mais freqüência entre os gays brasileiros.
Vi vários comentários sobre a coragem, sobre a força e houve até uma alma iluminada que disse “eles não são gays, são dois homens que se amam”. Isso foi dito por um GAY! Oh, mijn God!!!! Se dois homens que se amam não forem gays acho que vou precisar de um terapeuta. Aliás, será que a sociedade brasileira precisa de um filme americano para começar a entender que gays também são seres humanos capazes de se apaixonar? Digo começar a entender porque aparentemente o preconceito nunca esteve tão presente na cabeça dos brasileiros, mas como diz um amigo meu, no Brasil nunca importa como as coisas são e sim como elas parecem ser. Ele me cita como exemplo a própria cidade onde nasceu e viveu durante uma boa parte da vida, até decidir trocar o Brasil pela Europa. De acordo com meu amigo carioca auto-exilado, o Rio de Janeiro é a cidade mais homofóbica do Brasil, apesar de toda a propaganda sugerindo liberdade sexual. Confesso que não poderia emitir opinião a este respeito, pois nunca morei no Rio de Janeiro e também a cidade nunca foi meu destino de férias preferido, mas poderia dizer que a sociedade brasileira em geral é preconceituosa e isso não tem melhorado nos últimos anos. Vou fazer uma pausa para contar algumas historinhas rápidas.
Cena 1 - você é convidado por um amigo para acompanhá-lo a uma festa. Quando chegam são recebidos pelos donos da casa de maneira super simpática, em especial pela mulher que é a nova colega de trabalho do seu amigo. Champagne para cá, caviar para lá, a ambientação em volta da piscina perfeita, gente super interessante e você tem a certeza de que a noite vai ser muito agradável. Rola toda a história da mudança da cidade por causa do trabalho do marido, de quanto tempo ele passou sozinho na cidade sentindo falta da esposa, de como ela começou a trabalhar com seu amigo, de como estavam felizes com a festa para inaugurar a casa, etc. Estava tudo tão certo que algumas vezes me passava pela cabeça como a vida de algumas pessoas consegue ir além do perfeito. Na saída enquanto o manobrista traz o carro você nota que o anfitrião, gatíssimo por sinal, aproveita para ter uma conversa um pouco mais privé com seu amigo no mesmo momento em que a esposa te mostra super empolgada uma tela caríssima adquirida em uma galeria em Nova York. Minutos mais tarde, na privacidade dos bancos de couro e do ar-condicionado do carro você ouve seu amigo dizer que segurou a onda bravamente, mas não estava confortável, pois há uma semana ele e o dono da casa haviam tido uma tarde quentíssima na cama sem que ele soubesse que o dito cujo era marido de sua colega. Depois você descobre ainda que na conversinha prive na saída da casa o senhor bem casado havia dito ao seu amigo que ele ser discreto em relação ao assunto, mas que queria continuar o caso.
Cena 2 - você encontra a versão em carne e osso do super-homem em um bar, conversam um pouco, rola um beijo, ele diz que tem que ir, mas te deixa o número do celular e você dá o seu. No dia seguinte, para sua surpresa, ele liga cedo e diz que quer te ver novamente. Você tem um momento “revista Elle” e pensa: ”esse cara é diferente, ele não quer só transar” ou ainda “desta vez pode até rolar um namoro mais sério”. Você vai para o encontro, o cara é inteligente, tem assunto, é divertido. Mais tarde vocês decidem ir para uma boate e depois para um motel onde rola uma transa pra lá de ótima. Isso se repete por algumas vezes e você até imagina que está quase em um relacionamento. Em um determinado final de semana você ele te convida para passar a noite na cama dele e você, lógico, vai. Apartamento super lindo, ótimo vinho e aí rola outra transa maravilhosa, desta vez na cama onde você pretende dormir várias outras vezes. No dia seguinte você olha a casa e acha que alguma coisa não bate. Aquele apartamento não parece ser de um homem que mora só e aí ele te diz que te adora, que sexo com você é ótimo, só que ele tem uma esposa, embora este “pequeno detalhe” não seja um problema, pois ela viaja bastante por causa do trabalho. De qualquer forma ele prefere ser “discreto”.
Cena 3 – Um amigo te conta que encontrou uma escultura grega na casa de amigos e que rolou um papo legal, que o cara tem bom nível e que até mesmo marcaram um outro encontro durante a festa. Pelas tantas resolveram fazer uma saída discreta e ir para um motel e havia sito tão bom que seu amigo corria o risco de apaixonar. Seu amigo finalmente começa a namorar o deus grego, só que o namorado não gosta de aparecer com outro homem porque não quer que achem que ele é gay (?!?!), supostamente por causa do trabalho. Os meses se passam e o único sinal que você vê do namorado do seu amigo é uma foto. Um belo dia se amigo diz que acha que está sendo traído. Daí durante uma viagem você vê o distintíssimo em um club... com uma mulher! Na volta você sonda discretamente com seu amigo como estão as coisas e ele diz que mais ou menos e que o namorado está na cidade X a trabalho pelos últimos 15 dias. Daí você comenta sobre o que viu. Seu amigo não acredita muito, mas resolve confrontar o namorado e daí ouve a confissão de que só sente tesão de verdade com homens, mas fica com mulheres para “manter a imagem”.
Cena 4 – Você está no shopping e percebe que tem um cara super gostoso que parece te paquerar. Você entra em uma loja, finge que olha alguma coisa, ele vai atrás, rola uns olhares, uma aproximação e um convite para um café. Rola um papo legal, ele tem compromisso naquela noite, você também, ele diz que está louco para te dar um beijo, você mal se agüenta, rola um selinho no estacionamento e uma promessa de encontro no dia seguinte, para “um almoço um pouco mais tarde”. Vocês se encontram, a coisa esquenta, rola um motel e aí ele diz que não pode demorar muito mais porque é aniversário de casamento e ele vai levar a mulher para jantar, mas que nunca sentiu tesão de verdade por mulheres, etc.
Cena 5 – Você está em um bar e um cara supostamente hétero, bem no estilo bad-boy machão de Ipanema, começa a olhar para você. Você não rende assunto, mas o cara te segue até o banheiro e fica por ali, te secando. Quando você está para sair ele te cumprimenta. Você chega até a pensar que vocês se conhecem e rola uma conversa. Ele na cara dura diz que te achou bonito. Você está solteiro, acha ele um gato e aí resolve ver qual é. Combinam rapidamente uma saída discreta e um encontro em um outro bar. Ele demora um pouco, mas finalmente chega. Minutos depois de ter pedido um drink ele te fala que demorou porque foi deixar a namorada em casa, mas que na verdade era só fachada, pois ele curtia mesmo era sexo com homens, mas que “sabe como é, homem tem que casar com mulher”.
Cena 6 – Um amigo te conta, atormentado, que o ex-marido da melhor amiga ligou para ele na noite anterior dizendo que não conseguia tirar ele da cabeça e que queria muito que ele fosse fazer uma visita para “ver a vista da cidade” e conversar.
O que estas histórias têm em comum é que todas são reais. Parece que meu amigo está mesmo certo, o Brasil realmente vive esta inversão de valores onde não importa como as coisas são e sim como elas parecem ser. Nem todas estas histórias se passaram comigo – Graças a Deus! – mas posso garantir que todas são reais. A partir daí dá para entender a reação das pessoas em relação ao filme, porque alguns realmente acham que “os caras não eram gays, eram dois homens que se amavam” (gay por acaso não é homem ou não ama?). Alguém ainda disse “eles não eram gays, eram só dois homens que transavam”. Eu não deveria me dar ao trabalho de dar explicações sobre a língua pátria, mas desta vez o farei por caridade.
My dear, se ninguém te contou, gay significa homossexual e, segundo o dicionário, homossexual quer dizer ”referente a atos sexuais entre indivíduos do mesmo sexo”. Logo dois homens que transam são homossexuais, deu para entender agora? Realmente é estranho que um homem que use uma mulher como disfarce tenha mais valor do que um que assuma seu desejo por alguém do mesmo sexo. É muito esquisito que alguém se ache no direito de usar uma outra pessoa para garantir sua carreira, sua posição social, sua imagem ou sua masculinidade. Pois quer saber? Para mim é mais macho, e certamente mais digno, quem tem a coragem de assumir a sua vida como ela é e não quem cria um faz-de-conta para si e para os outros.
Aliás, aproveito para deixar aqui uma sugestão para as mulheres brasileiras: façam uma rebelião. Comecem a exigir o direito de casar com um homem hétero, que realmente tenha tesão por vocês. De que adianta todo esse silicone, todas as cirurgias plásticas, os litros de Botox e água-oxigenada se o macho malhado que anda com vocês está com a cabeça no “melhor amigo”? Olhando de fora, é visível que o que falta no Brasil e respeito, pelos outros e por si próprio. Só no dia em que a sociedade brasileira aprender o que significa respeito as coisas começarão a mudar de verdade, em todos os aspectos. Até lá vamos todos ficar brincado de Alice no País das Maravilhas, fingindo que está tudo bem, mesmo que se tenha que viver a base de Prozac ou Lexotan. E antes que os nacionalistas de plantão cantem o hino e corram para desfraldar a bandeira nacional, sugiro que façam uma parada estratégica para tomar um café e procurar ver as coisas como elas realmente são. Garanto que não dói.
Beijo,
Luiz Veloso Administrador e designer, Den Haag, Países Baixos
P.S.: Comentários no meu blog
FONTE: GLSPLANET.COM - 21/03/06

segunda-feira, 13 de março de 2006

ATÉ QUANDO?

Na madrugada do dia 11/3, dois ativistas do Grupo Dignidade, Igo Martini e Márcio Marins, foram brutalmente agredidos. Após sairem de uma festa de aniversário de um amigo, os militantes, abraçados, se dirigiam a um ponto de táxi, quando em frente à Caixa Econômica Federal agência Carlos Gomes, foram abordados. Igo foi abordado por dois homens que começaram a agredi-lo com socos e pontapés. Márcio Marins foi agredido por um terceiro homem. Segundo ainda a versão das vítimas, os agressores xingaram os ativistas várias vezes dizendo que “viado tem que morrer mesmo, bicha desgraçada, bicha nojenta” e foram atacados com uma pá de gari. Ao ver o tumulto, duas viaturas da guarda municipal que passavam no local, pararam. Segundo Igo, foi pedido socorro, porém os guardas municipais ordenaram os ativistas a deitarem-se no chão. Sem dar tempo para que os gays se manifestassem,os policiais também começaram a agredi-los com chutes. Os ativistas foram em seguida conduzidos ao 1º Distrito Policial, em uma viatura dirigida pela guarda municipal, sendo que Marcio revelou que foi agarrado pela garganta no caminho, quando os guardas diziam: viado tem que apanhar mesmo, que se pingasse uma gota de sangue eles (Igo e Márcio) iriam apanhar mesmo, que se eles fizessem alguma ligação por celular eles iriam apanhar mais. No 1º Distrito Policial, foi registrado um boletim de ocorrência onde constava que Marcio e Igo seriam os agressores e não as vítimas. Igo Martini é tesoureiro e diretor Executivo do Grupo Dignidade e Presidente do Centro Paranaense de Cidadania – CEPAC e Márcio Marins é ativista em Direitos Humanos, Coodenador de Interação com a Comunidade do Grupo Dignidade. Os ativistas foram submetidos a exames de corpo delito no Instituto Médico Legal e pretendem entrar com processos penal e administrativo para responsabilizar os guardas e o casal de agressores.
As informações são do Centro de Referência GLBT do Grupo Dignidade.

quinta-feira, 9 de março de 2006

Bar que proibiu beijo de lésbicas é condenado na Justiça

Um casal de namoradas ganhou processo contra bar por discriminação na Irlanda.O juiz considerou que o bar Malone em Blarney extrapolou ao repreender e provocar a saída do casal do local.Tudo aconteceu quando Myra McGuirk e Eileen Twomey estavam disputando uma partida de sinuca, e ao darem um beijo de "boa sorte" foram repreendidas pelo proprietário, dizendo que elas não poderiam se beijar no local e se o fizessem novamente, seriam obrigadas a sair. Elas terminaram seus drinks e se abraçaram antes de se levantar da mesa. O proprietário então limpou a mesa e apagou as luzes mostrando claramente suas intenções. Ativista do grupo Equality Authority comemorou a decisão e elogiou o juiz:"O incidente foi traumático, mas o resultado tornou-se um exemplo para a comunidade gay e lésbica na luta contra a homofobia", explicou.
FONTE: GLSPlanet

Rio vai realizar protesto contra violência homofóbica em Ipanema


Grupos gays ativistas e entidades de defesa dos Direitos Humanos vão realizar no próximo domingo, 12/3 um protesto contra a violência homofóbica na praia de Ipanema. O protesto acontece às 15 horas, na altura da Rua Farme de Amoedo. O protesto foi provocado pela agressão sofrida durante o carnaval pelo casal gay constituído por Hyldo Júnior, 24 anos, e Maurílio Cardoso, 23, espancados por uma turma de pitboys no local (veja a foto) por estarem se beijando. Com o nome de Ato pela Paz, pelos Direitos Humanos e de Repúdio a Violência contra Homossexuais, o protesto quer pressionar pela apuração das denúncias contra os policiais militares que nada fizeram na ocasião e pela punição dos agressores. O ato vai ter a presença de ativistas de grupos de defesa de homossexuais, entidades de direitos humanos, personalidades, parlamentares e autoridades. Haverá entrega de flores brancas, falas de autoridades e ativistas, esquete de teatro e um beijaço em nome do amor e da livre expressão do afeto.
FONTE: GLSPlanet

Madonna tem que explicar à filha sobre seu beijo em Britney Spears

FONTE: GLSPlanet

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Ministro recomenda reconhecimento de casais GLS como família

"GLSPLANET.COM - 06/02/06A

Conclusão de um parecer do Ministro Celso de Mello, do STF, emitido dia3/2/06, sobre uma ação de autoria da Associação da Parada Gay de SP e Associação de Incentivo à Educação de São Paulo, dá novas esperançaspara casais GLS no Brasil: "A união homossexual deve ser reconhecida como uma entidade familiar e não apenas como sociedade de fato .

O texto do relatório - publicado na revista especializada Consultor Jurídico - reflete as primeiras evoluções da matéria no âmbito do Supremo TribunalFederal, no qual, a união homossexual é reconhecida até hoje somente como sociedade de fato. A opinião do ministro que surgiu após exame da ADI 3.300-DF, da qual o Celso de Mello é relator, sugere que a regência do assunto deve ser tratada, não mais no campo do Direito das Obrigações, mas no campo do Direito de Família.

O ministro extinguiu o processo por razões de ordem técnica a ADI atacou norma legal já revogada - mas fez considerações em que afirmou ser o fato daunião homossexual uma relevantíssima questão constitucional, e pertinente ao STF discutir e julgar, em novo processo, o tema pertinente ao reconhecimentoda legitimidade constitucional das uniões homoafetivas e de sua qualificaçãocomo entidade familiar.

Ministro Celso de Mello entende que deve ser reconhecido o direito à diferençae o direito personalíssimo da pessoa e citou recentes decisões do Tribunal deJustiça do Rio Grande do Sul - a exemplo da desembargadora Maria Berenice Dias- que já deslocou a discussão da união homossexual para o campo do Direitode Família.

Ele comenta que o convívio de pessoas do mesmo sexo ou de sexos diferentes, ligadas por laços afetivos, sem conotação sexual, cabe ser reconhecido comoentidade familiar. Presentes os requisitos de vida em comum, coabitação, mútua assistência, é de se concederem os mesmos direitos e se imporem iguais obrigações a todos os vínculos de afeto que tenham idênticas características.

Atualmente, a Constituição prevê três enquadramentos de família - a decorrente do casamento (definida nos parágrafos 1º e 2º do artigo 226);
- a família que decorre da união estável (parágrafo 3º do mesmo artigo 226)
e a família decorrente da entidade familiar monoparental (quando ocorre deapenas um dos cônjuges restar com os filhos), definido no parágrafo 4º,também do artigo 226. "

Fonte: GlSPlanet

Caso queira a íntegra desta matéria com a decisão do Min. Celso de Mello, pode pesquisar no site do GlSPlanet ou me pedir por e-mail.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Revista Bravo - Entrevista com Seu JORGE

Queridos leitores:
Tem sido difícil conciliar coisas simples da vida com um grande e urgente compromisso que assumi no final do ano passado. É tudo ou nada. Por isso passei mais de um mês para escrever aqui novamente. Mas o blog da Mina não morreu!
Retomando a atualização do meu blog, posto entrevista do Seu Jorge à Revista Bravo! E, durante a semana, notícia do interesse GLBT.
Meu carinho a vcs.
Mina Blixen.


Por linhas tortas


Na contramão de sua própria história de vida, Seu Jorge reafirma o prestígio no exterior e, ao lado de Ana Carolina, chega ao primeiro lugar nas paradas de sucesso brasileiras. Leia aqui a íntegra da entrevista concedida a BRAVO!Por Marcus Preto

BRAVO!: O estouro popular do disco gravado com Ana Carolina mancha a imagem de artista cult que você manteve até agora?
Seu Jorge: As pessoas vão achar que é transação de dinheiro, que me deram uma puta grana para eu estar lá dando esse aval para a Ana. Mas não. Na verdade quem está dando um puta aval para mim é ela na FM. Eu não freqüentava isso. Você está pensando que eu vou pagar para Carolina tocar no rádio? Não dou R$ 1! Se eu não pago na França, nos Estados Unidos, no Japão, na Alemanha, por que eu vou pagar no Brasil, que é a minha terra? Não pago! Agora, se a Sony acha legal pagar, problema deles.

Foi preciso ganhar um selo de qualidade internacional para a elite cultural brasileira definitivamente considerar você um produto de luxo?
Foi preciso eu estar concorrendo a dois prêmios na BBC, foi preciso eu estar em quarto lugar na Billboard para alguma coisa acontecer. Tive que dar uma caminhada muito mais longa para poder ser entendido. E não só eu. A Bebel Gilberto, por exemplo, é uma figura maravilhosa mas, para a sociedade brasileira, ela não tem o padrão da gostosa. Se nem para Bebel, com aquele pedigree todo, com aquele talento todo, com aquela categoria toda, neguinho dava moral, por que iam dar moral para Seu Jorge, que mal tem a sétima série e nenhuma especialização acadêmica?

A França não é um país muito acolhedor com estrangeiros. Por que a receptividade foi tão boa com você?
As coisas foram acontecendo. Eu cheguei lá pensando que ia vender 1,5 mil cópias desse disco. Vendi 80 mil. Então, é diferente. Sou um fenômeno, fiz cem shows lotados. A gravadora de lá me fez uma proposta incrível de renovação de contrato. Disseram que eu ajudava a vender música porque eu sou também um cara do cinema, meio da escola do Fred Astaire. Acham que o trabalho que eu levei para a França era importante para o país deles, olha só. O francês! Ele não tem nada a ver comigo! Ele podia ser o cara que me explora, mas ele não tem como me explorar, então faz uma aliança comigo, me dá uma força, me ajuda coisa que o Brasil nunca fez. Nunca tive uma oportunidade no Brasil.

O show na Praça da Bastilha para cem mil pessoas nas comemorações do Ano do Brasil na França ajudou a maximizar sua visibilidade por lá?
Eu toquei lá, foi horrível. Do Rio, só estávamos eu e o Jorge Ben. Desculpa, mas não tinha uma escola de samba, não tinha uma velha guarda. Só tinha o Ilê Aiyê. É foda, foi o Ano da Bahia na França. Quando o Gil entrou no ministério, eu disse: Estou nessa com ele, o único ministro da Cultura que fez cultura. Ele fez 40 anos da cultura do meu país. É ele quem tem que estar lá. O cara não fez nada! Tem que entrar gente jovem na política, gente da nossa idade. Esses velhos não podem mandar mais, não. Eu vou criar meus filhos para a cadeira do Senado. Se eles quiserem ser artistas, tudo bem, mas vou prepará-los para administrar. Eu gostaria de saber administrar um país, mas eu não entendo. Eu só entendo de desigualdade social porque eu sofri desigualdade.

É, você foi morador de rua. Quais as piores imagens que você traz desse tempo?
Você ver o cara que é cheio da grana dar R$ 2 para um compadre tomar conta do seu carrão sabendo que o coitado tem 35 anos, dois, três filhos e está ali se humilhando para não meter a mão na arma? As crianças já sofrem dor de adulto, catando papelão. E as pessoas ainda confundem: é trabalhador de rua, não é indigente, não é delinqüente. O sonho dessa gente não é comprar uma casa, é comprar um barraco. Já está lindo conseguir um lugar coberto onde não chova dentro, um tapetinho, um mínimo de dignidade, onde dê para fazer uma gambiarra de luz... não é água quente. Banho ele toma lá fora com um caneco, está tranqüilo. Mas o Brasil está produzindo essa cabeça de olhar mais o todo.

Você está falando do governo Lula?
Quando me perguntavam do Lula eu dizia: Acho o cara fantástico, o cara é foda!. Mas com esses escândalos que passaram... E ele acabou não se explicando. Devia ter dito: Olha só: o que aconteceu aí foi cagada, mas eu não tenho nada com isso, vamos levantar!. Só que ele não se explicou. Dói, sabe? Ainda mais que eu trabalhei o ano todo... Nós sabemos que a elite não paga impostos. Não está vendo a Daslu aí, toda enrolada? Eles são chiques para caralho, mas estão todos indo para a cadeia, tudo errado. Sapato a sete mil reais, oito mil reais? Só ensinando coisa errada... Lesa a sociedade, não paga imposto. O pobre que é pobre e não pode pagar, paga. A Daslu é mais legal, é mais honesta. Tem que ser preto e ser pobre pra mostrar que é honesto.

Sim, mas você é um dos queridinhos das dasluzetes.
Eu, Mano Brown, todo mundo.

Por que elas escolheram vocês?
Uma grande parte dessa gente também foi criada não é culpa deles num mundo de Barbie, de castelinho. E essas pessoas conseguem se identificar com a gente porque todas têm a comunidade morando dentro das suas casas: lavando, passando, cozinhando pra elas. Então, têm suas referências. Existe uma busca muito grande para que se acabe esse preconceito. Hoje, a gente pode ver muito mais dessas pessoas se julgando porque está bem claro que essa elite é cada vez menor, mais reduzida, precisando ser incluída no processo de montagem do povo brasileiro, no processo intelectual brasileiro. E eles vêem em nós toda essa força.

Mas por que escolheram Seu Jorge, especificamente?
Acho que é muito por causa da virilidade.

Tesão?
Particularmente as meninas, tal, [imitando voz sexy] o Seu Jorge... Outro dia uma revista dessas me ligou para fazer uma foto dos 10 Mais Bonitos. Eu falei que isso não é bom para mim, é bom para outra rapaziada, Dado Dolabella, essa galera que é realmente bonita e preocupada com essa coisa. Eu, não. Afinal, até outro dia eu entrava num ônibus e todo mundo ficava tenso, tinha medo de mim. Eu não posso agora pegar esse papel, porque meus irmãozinhos e meus compadres vão continuar passando pelo que eu passei. Então, não aceito essa configuração para mim.

Mesmo que isso represente a inclusão de um negro entre os 10 Mais Lindos da tal revista?
Puta hipocrisia. Essa coisa está no coração, cara. Não está na camisa da Nike, não está na moda da Daslu. Pô, que coisa mais ridícula aquelas meninas com aquele mesmo cabelinho, o mesmo tamanco, a mesma calça baixa, tudo andando de mão dada uma com a outra, indo para o banheiro. Tem muita gente que tem recursos, mas não sabe o que vai fazer da vida. Vai para a Daslu, pára o carro, o motorista abre a porta... a única neurose que eles têm é quando estão fora do blindado. O mercado da elite está com os dias contados. Quem vai começar a ganhar título de nobreza agora é Jamelão, Beth Carvalho, Cartola. Tudo o que a gente teve de bom, tudo o que a gente teve de orgulho não só negro, mas brasileiro. Não renegando, mas não é bossa nova a minha música de raiz.

A Beth Carvalho discorda de que o trabalho do Marcelo D2 seja uma das possibilidades de evolução para o samba porque não segue o caminho da tradição. O que ela acha da sua música?
Beth me acha mais positivo. Ela sabe que, mesmo não entendendo muito o que a gente que é mais jovem propõe, algumas coisas que ela curte estão ali. Minha idéia é transformar a música brasileira em algo mais universal, menos territorial. Talvez ela implique um pouco com essa coisa americana. Eu também acho que fazer samba, que é nosso, é muito melhor. Mas toda criança preta quer ser o Michael Jackson. Quando eu era pequeno, via aquele moleque cantando para caralho, dançando para caralho, pretinho, amado, respeitado para caralho e a gente, da favela, queria ser respeitado também, pô: Quero ser igual a esse cara!. Foi ele quem trouxe toda a informação para o pop. Se Madonna é o que é, é porque Michael Jackson capinou o quintal para ela. É americano? É. Mas vai dizer que Michael Jackson é ruim? Não pode, dona Beth!

Chico Buarque andou dizendo que o formato canção está moribundo, predestinado a acabar. E o que você faz é canção. Sua arte estaria mesmo com os dias contados?
O Chico Buarque anda na rua, mas ele não vem na noite para ver o que a gente está fazendo. Ele não vem na nossa balada, não vem no nosso show. Ele fica lá na casa dele. Os amigos dele morreram todos, praticamente. Nesse sentido sim, a canção está acabando: ele tem que fazer as paradas todas sozinho. Falta ele dar um rolé, ir para São Paulo, para os becos, ligar para os irmãos novinhos, os moleques que estão interessados na canção. Será que ele conhece o Quinteto em Branco e Preto? O Samba da Vela?

Existe uma distância dos ditos medalhões da música brasileira (Chico, Caetano Veloso, Gilberto Gil) em relação ao trabalho dos artistas da sua geração?
Se rola uma distância até entre ele [Chico] e o Lenine ou o Zeca Baleiro, que são de uma geração anterior à minha, imagina com a nossa galera... Eu não concordo com umas coisas. Gravei a música dele [Cotidiano, sobre arranjo drum´n´bass de Marcelinho da Lua], mas até hoje não sei se ele gostou. A menina [a personagem da canção] ficou com mais anfetamina, mais drogas na veia, mais pop. Talvez ele não goste. Tudo bem se ele não gostou, mas não dizer nada aumenta essa distância. Todo mundo ama o Chico Buarque, todo mundo entende as letras dele, a poesia dele, aquelas palavras. Mas quem me educou mesmo foi Roberto Ribeiro, foi Bezerra da Silva... Esses iam na minha favela tocar. Chico nunca foi.

Você citou Bezerra da Silva, que viveu e se criou sob o título de malandro. Hoje ainda é o caso de a música fazer apologia à malandragem?
É tudo a maneira como você fala. Quando Bezerra falava disso, ele falava em defesa de quem é abandonado. O que é o pai ou a mãe da gente? É tudo quando a gente nasce. Se eles nos largam na lata do lixo, vai crescer com a gente o ódio, o rancor, a mágoa. É assim que nós crescemos. Nós fomos abandonados: africanos, negros, índios, mulatos, nordestinos, mãe solteira, aposentado, criança de rua... Quando isso acontece, não tem ninguém para falar em defesa da favela. Então, não é deixar de fazer apologia a malandro é não ter, nesse momento, com o que contar. Antigamente, a gente tinha o Moreira da Silva, a gente podia contar com ele. Malandragem para ele era tomar leite e dormir cedo. Ou seja, tinha muita filosofia ali que dava para aprender. É essa malandragem que a gente não tem mais. As crianças com seis anos de idade de hoje são completamente diferentes das do nosso tempo.

Em que sentido?
Quando a gente tinha seis, sete anos de idade, os olhos da gente eram os olhos da Branca de Neve, da Gata Borralheira. Exaltar a malandragem, o swing, a gente vai continuar exaltando. Mas temos que dar atenção para essas patologias que são fundamenteis de serem vistas agora. Precisa existir quem olhe pela vida dessa gente, que trabalha todos os dias, que leva a criança no colégio pelo menos para pegar uma merendinha, que toma Ki-Suco, que assiste televisão na casa dos outros porque não tem televisão, essa gente que o Netinho faz o sonho deles.

O Netinho de Paula, apresentador da Record?
O dia de princesa é fundamental! Ele resolve problemas sérios ali. Aquela menina de 19 anos que está acima do peso, que tem um filho, está desempregada. O Netinho já entra com uma cesta básica, um dinheiro para pagar as contas todas, resolve tudo ali na hora. E ainda dá um tapa na comadre, faz o cabelo, unha, arruma um emprego, paga cursos, academia pra ela baixar o peso... Re-sol-ve! Não é caô. Eu já muito a televisão explorar a ignorância e a humildade do povo, mas esse malandro sabe fazer isso direito. Eu tenho dois irmãos e os dois estão desempregados. E eles são “irmãos do Seu Jorge, imagina o bloqueio que é. Pô, tu não é irmão do cara? O cara está rico, parceiro! Está na gringa, ele não te ajuda não? É isso que minha família escuta. O meu estilo de vida está atrapalhando o estilo de vida deles. Eles são minha família, mas o problema é que o que eu faço é uma coisa e o que eles fazem é outra. Só estou na parada porque eu me esforço bastante e criei essa credibilidade com o público.

Sua incursão mais importante no cinema é Cidade de Deus. Durante as filmagens, vocês já tinham noção das proporções que o filme tomaria?
A gente sabia da importância do filme que estava fazendo. Só não sabia que merda ia dar. Eu, particularmente, achava que a mão da ditadura podia cair ali a qualquer hora.

Por causa do filme?
Por causa dos crioulos, das crianças, por causa do tema. Imagina, botaram as crianças para fumar maconha, com revólver na mão. Tem um cara chamado Ciro Darlan que não é fácil! Ele toma filho dos outros e o caramba! Botou pilha para tomarem o filho do D2... Sacou? De repente, aparece um filme de duas horas com moleque fumando maconha, dando tiro, tomando tiro na mão? O filme tratava de coisas sérias e a gente queria ver o que ia acontecer. Mas eu, particularmente, tinha medo de entenderem tudo errado. Foi primeiro filme nesse país onde o negro teve oportunidade de aparecer. Primeiro e único. Assim que saí do cinema no dia da pré-estréia, que tomei aquela porrada, a primeira coisa que pensei foi: Que merda, se tiver um Cidade de Deus 2 eu não vou estar mais, eu já morri, o Zé Galinha já morreu. [rindo] Egoísta, né?

Pois é, o filme fez todo esse estardalhaço entre a classe média, mas sua repercussão na própria comunidade da Cidade de Deus não foi das melhores. Isso afetou você em algum ponto?
Nada. Quando acabou o filme, eu até perguntei se eles iam precisar de mim para alguma coisa, divulgação... Eu imaginava que essa era a vez do Darlan, do Douglas, de gente que estava com mais problema que eu. Eu já tinha uma oportunidade na vida. Ainda estava duro, mas já estava ficando conhecido. Aquilo era novo para mim, mas era ainda mais novo para eles. Então, não fiquei naquela coisa de ai, vou pegar essa caroninha. Assisti à pré-estréia do filme e fui para a França.

A repercussão não foi tão boa na própria Cidade de Deus. MV Bill se manifestou dizendo que o filme explorou a imagem das crianças da CDD e que o tamanho do estigma que elas vão ter que carregar pela vida só aumentou com esse filme. Estereotiparam como ficção e venderam como verdade. Você concorda com ele em algum ponto?
Discordo completamente de tudo o que ele falou. O Fernando Meirelles pegou o sonho de uma pessoa de lá da comunidade, pegou um livro que é um manifesto verdadeiro e autêntico. E não é só a comunidade do Bill que tem problema, não. Não é só Cidade de Deus que é favela, que é fodida e que a polícia dá porrada e humilha as pessoas, que tem tráfico de drogas, que tem fome. E não foi assim que as pessoas de lá foram usadas no filme. Bill deve reconhecer que os meninos da comunidade entraram para o mercado de trabalho e com o próprio talento deles.

Você está falando de Douglas e Darlan?
Exatamente. Não é possível que MV Bill não reconheça que toda essa molecada de quem ele está falando ganhou o mundo, tem hoje um mercado muito superior. Eu mesmo não faço novela em Globo nenhuma, mas faço cinema. Só eu tenho três possíveis filmes para fazer esse ano fora do Brasil e se não fosse Cidade de Deus nada disso seria assim.

O que você está enumerando agora é o que considera benefícios que o filme trouxe aos atores que participaram. O que o Bill reclama é em relação à comunidade.
Esse filme é um manifesto. É ficção sim, mas ninguém nunca vendeu aquilo como realidade, porque a realidade não precisa de cinema para aparecer. O Rio de Janeiro taca fogo em ônibus com criança dentro: o mundo todo está de olho nessa porra. Não precisa de Cidade de Deus nem de filme nenhum para que o mundo veja isso. E é fantástico também que, de certa forma, a gente não maquie nossa realidade. Uma das grandes forças do Brasil é chegar no Rio de Janeiro, ver que a cidade é linda e ver também que tem um monte de moleque dormindo na rua, fodido, na merda. É impossível esconder essa sujeira debaixo do tapete. Eu cheguei para fazer o A Vida Marinha de Steve Zissou e a Sessão da Tarde inteira baixava a cabeça para mim porque eu tinha feito Cidade de Deus.

A Sessão da Tarde?
Era a Família Adams, Os Caça-Fantasmas, A Mosca, Platoon: todo mundo ficando amigo, vindo na minha casa, ligando para mim, vamos fazer um projeto, empresta um dinheiro aí. Tudo porque eles se envolveram com Cidade de Deus. Então, não é bem assim. Eu sempre vou divergir um pouco dessa opinião do Bill. E ninguém pode falar desse elenco, dessa direção. Ninguém pode falar dessa edição, que foi feita por um moleque novinho e que sentou na cadeira do Oscar juntinho com aqueles malandros todos! Como é que não tem renovação? Tem sim, vamos futucar!

Em A Vida Marinha de Steve Zissou seu personagem se chama Pelé e é o cara que faz a música, anima a festa. Aos olhos americanos, o brasileiro ainda é visto por esses dois prismas: futebol e carnaval?
Não acredito que a imagem do Brasil seja essa, não. No roteiro, isso já estava determinado: queriam um afro-brasileiro que também fosse músico para tocar as versões do David Bowie em português. Testaram muitos negros no Brasil, na Itália e até nos Estados Unidos. Quando consultaram o Fernando Meirelles porque ele tinha sido o último diretor a fazer um filme com cast negro , ele disse: A única pessoa que eu conheço que pode fazer isso tudo é o Seu Jorge. Mas não fui lá porque era amigo do Fernando Meirelles, ninguém indica ninguém assim. Se ele não acreditasse em mim, não teria me indicado. Fui o maior beneficiado de todo o elenco. Uma parte do público gosta do filme, outra parte não entendeu. Só vão entender daqui a 20 anos, quando descobrirem que o Wes Anderson [diretor do longa] é um monstro, um gênio.

Foi mesmo a religião que salvou sua vida?
Eu não tenho essa relação de pecado e paraíso, de sair daqui para pagar não sei onde. Acho que a coisa é toda resolvida por aqui, mesmo. Se vacilar aqui, é aqui que tu estás fodido. Se acertar aqui, é aqui que vem a bonança. Talvez, se o Brasil tivesse sido educado nessa concepção eu nem digo religião, a gente tivesse mais mico leão dourado espalhado por aí. Mas fomos criados na concepção católica, onde é proibido, é pecado, é feio, é bonito, é com alma, é sem alma... deu essa cagada toda que está aí. Sou candomblecista sim, sou filho-de-santo pesadão como todo preto brasileiro é. Meus santos estão todos na atividade e se mexer comigo são três tambores comendo na cara. E não é papo de magia negra, não. É dança, é canto, é expressão, é sorriso, é gargalhada, é cerveja, é rango, é lombo de porco, é lingüiça de porco, é feijão, é fartura, é tambor, é todo mundo de branco! Todo mundo bem decorado, bem colorido. É cheiro de mato, cheiro de erva, é biodiversidade. Neguinho está perdendo, não sabe o que é.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

I M P E R D Í V E L


Estando no Recife no período, você simplesmente não pode perder essa mostra!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

Separação de casal de lésbicas divide Justiça gaúcha



Fonte: Gls Planet

domingo, 1 de janeiro de 2006

quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

"Ana Carolina prestou um desserviço" - Edson Cordeiro comenta com desgosto a forma como a cantora saiu do armário

A edição da revista Veja do dia 21 trouxe na capa a cantora Ana Carolina ao lado de uma manchete um tanto polêmica: "Sou bi, e daí?". Na entrevista, a artista que já vendeu 1,5 milhão de discos e é ídolo das lésbicas conta que é bissexual e diz que procura se manter afastada da militância GLBT. "Sou contra essa postura de levantar bandeiras para defender o homossexualismo, pois fica parecendo que ser gay é uma doença", falou à revista. A declaração da cantora dividiu opiniões e gerou respostas imediatas de ativistas como Welton Trindade, presidente do grupo Estruturação, que a classificou como "bastante despolitizada". Colega de profissão de Ana Carolina, Edson Cordeiro também reagiu mal à entrevista dela.

Por telefone, falou com exclusividade à Tribuna do Brasil durante ensaio do show que vai apresentar na noite de reveillon na inauguração do primeiro Resort GLS do País, na Bahia. O cantor, que sempre falou abertamente de sua orientação sexual, acha que as falas de Ana à Veja são "um absurdo, uma regressão e um desserviço".

ENTREVISTA
Edson Cordeiro

De que forma sua orientação sexual influencia no seu trabalho?
Tudo o que eu sempre fiz foi gay porque veio de mim, que sou gay. Alguns artistas têm muito medo dessa expressão "levantar bandeira" com medo de se comprometer. Eu não tenho esse medo. Sou militante antes mesmo de ser artista. No início do mês, cantei no Dia Internacional de combate à Aids em Viena.
O presidente da república da Áustria estava na platéia. Fui como voluntário e fiz isso porque me sinto à vontade.

O que você achou da entrevista de Ana Carolina à Veja?
Fiquei revoltado. Ninguém é obrigado a levantar bandeira, mas acho uma pouca vergonha o que ela falou. Não por mim, mas por várias associações, ONGs e pessoas sérias, como Luiz Mott [antropólogo] e João Silvério Trevisan [escritor] que estão aí há muito tempo lutando para mudar essa realidade.

Que realidade é essa que ela aparenta desconhecer?
Do jeito que ela fala, parece que a gente vive na Suíça ou na Alemanha. A verdade é que a gente mora em um país que mata homossexuais. São pessoas que não vendem milhões de cópias, não são cultuadas pela mídia, são pobres e consideradas doentes, sim! Pessoas que são banidas da sociedade, expulsas de casa e que sofrem com o preconceito.

A opinião dela foi um tapa na cara da militância?
A militância não tem que trabalhar para Ana Carolina, nem pra mim, nem pra alguém que vive cercado de glamour e aceitações. A gente tem que lutar por quem não tem essa visibilidade e proteção da fama.

A revista a chamou de "ícone de uma geração que não liga para rótulos sexuais". Você concorda?
Ela tem o direito de não levantar bandeira e de se dizer ser "bi", talvez porque ser "bi" pareça menos homossexual. No Brasil as pessoas não se importam de ver mulheres se beijando, isso alimenta uma fantasia heterossexual. Agora, quando são dois homens, as pessoas ficam incomodadas e vemos que pouca coisa mudou. Acredito que realmente possa surgir uma geração mais esclarecida, mas o Brasil tem muito que crescer nisso ainda e integrar os avanços mundiais.

Esse foi um ano de algumas conquistas e aumento da visibilidade GLBT no Brasil. Você acredita que essa é uma tendência?
Não adianta só fazer a maior parada do mundo se no dia seguinte fica tudo igual. Não podemos ser só "pão e festa". Já provamos que somos bons em fazer festa. Agora, temos é que cobrar quando a gente tira a máscara é que temos que cobrar.

Fonte: Tribuna do Brasil, 24/12/2005
http://www.tribunadobrasil.com.br/?ntc=9564&ned=1537